Precisamos de quê, realmente?
Não se escuta outra coisa dentro da Escola de Comunicação do Vale (termo meu): a reclamação dos universitários quanto às deficiências da faculdade. E eles precisam de quê realmente? De uma emissora de televisão, de rádio? De um jornal laboratório? Um ciberespaço? De tudo isso, claro, e um muito mais.
Contudo, não se pode entender o silêncio quando a pauta é trabalhar a palavra escrita (considere também a digitada como tal), a matéria-prima do bom jornalismo. Nem um eco ressoa. O comunicador social não existe sem a palavra escrita ainda que navegue por mares nunca dantes navegados. É matar o verbo antes que ele se torne carne e habite entre nós.
É preocupante notar essa fuga ao texto escrito. A culpa seria da ausência do aparato tecnológico (leia-se laboratório audiovisual)? Quem esboça qualquer apego às letras, logo é consolado (sic): “Você tem cara de impresso”.
Então na TV e no rádio a palavra não tem valor? Ela não passa de sinônimo da frustração profissional. Ser jornalista de imprenso é cair no anonimato do espetáculo que virou o jornalismo. Jornalista de verdade é quem posa pra câmera ou sibila para um microfone. Nada de conteúdo, a imagem diz por si; falar sem precisar escrever. Viva a retórica.
Resistiremos sempre ao duelo com as letras? É possível ser jornalista sem ter intimidade com a palavra lapidada numa folha de folha ou numa tela de computador? Para Clarice Lispector “A palavra é o meu domínio sobre o mundo”.
O resultado desse desapego pela palavra escrita se traduz no googlornalismo - o jornalismo Ctrl C, Ctrl V, o gilete press em sua versão mais atual.
Assim poderíamos, quem sabe, diminuir o barulho e não abandonarmos o verbo, o vocábulo bem escrito. O jornalista não é ninguém sem ele. Afinal, não é disso mesmo que precisamos?
Escrito por Claudemar Oliveira às 20h37
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